Zia, o corcundinha
Frances Hodgson Burnett
Tradução e adaptação de Lucia Sweet-Lima
Lótus do Saber Editora

Págs 26, 27

Na curva do caminho surgiu um jumentinho que avançava, vagarosamente, guiado por um homem de certa idade, de aparência cansada, conduzindo um fardo precioso. Era uma moça, e a luz fulgurante que brilhava, benigna, sobre eles, permitiu a Zia ver o azul da roupa que ela vestia. Seus grandes olhos ficaram ainda maiores, arregalando-se de assombro.

O semblante da jovem era mais suave do que as pétalas da rosa mais delicada. Seus olhos, que contemplavam o céu, eram duas estrelas da manhã, mas isso não era tudo. A pureza radiante de sua face envergonhava os lírios brancos. Um halo diáfano brilhava a seu redor adornando, como se fosse uma renda de luz, a orla de seu vestido e seu manto. Quando ela passou, o rebanho curvou-se, dobrando os joelhos até que ela desaparecesse na distância. As ovelhinhas, então, voltaram para a relva macia e puseram-se novamente a dormir.

Zia deu-se conta de que também estava de joelhos. Quase desfalecera de tanta bem-aventurança.

—Ela vai para Belém!—ouviu a própria voz dizer. —Eu também, eu também!

O som das patas do jumentinho pisando no chão foi ficando cada vez mais inaudível. A claridade já não mais iluminava como antes a encosta do monte, mas fachos de luz pareciam subir e descer do céu. Ele ainda ouvia trechos daquela música sublime, cada vez com menos intensidade, como se tudo fosse um sonho. —Talvez eu esteja tendo visões—murmurou—e acorde!