RepertÓrio

1. Song of India

2. Sita Ram

3. Bhaja Sri Krishna

4. Mani

5. Bond Bond

6. Haribol

7. Gopala

8. Clair de Lune

9. Jay Krishna

10. Kaun Hai Mere Mandire Me

11. Hay Hari Sundara

12. Gururbrahma

13. Om Namah Shivaya

Sobre o repertÓrio

“Song of India” é uma adaptação deslumbrante da melodia composta por Rimsky-Korsakof, “Sita Ram”, a música favorita do Mahatma Gandhi e “Bhaja Sri Krishna” e “Gururbrahama” são cantos devocionais, assim como “Haribol”. “Mani” é o mantra tibetano que Tomaz cantou para o Dalai Lama na Eco 92. Temos ainda “Hay Hari Sundara”, do Guru Nanak, a música dos milagres de Yogananda, que também musicou o poema de Rabindranath Tagore “Kaun Hai Mere Mandire Me”. O poderoso mantra “Om Namah Shivaya” é cantado pelos shivaítas para o Destruidor das Ilusões, o Rei dos Iogues, assim como “Bond Bond”. “Clair de Lune” é uma música favorita para a contemplação e “Gopala”, a mais antiga canção de ninar do mundo.

Song of India

Capa Song of IndiaQuando George Harrison enfiou sitar e tabla na epopéia beatle, estava apenas alertando meio mundo — o público dos Fab Four — para a vida musical existente pra lá de Bombaim. Nas (boas) graças dos Beatles, Ravi Shankar fez levitar platéias nos anos 70 com suas ragas dedicadas a estados de espírito e estações do tempo…

Mantras Imemoriais e Ritmos Afro-Brasileiros

Tomaz Lima com orquestra em Los AngelesTomaz Lima, o “Homem de Bem”, neste CD acompanhado de orquestra de câmara, amplia a ponte com a sabedoria milenar da cultura da Índia. Depois de colocar um mantra no hit parade nativo — Madana Mohana Murari, tema da personagem Úrsula, vivida por Andréa Beltrão na novela “Pedra sobre Pedra” —, Tomaz Lima aprofunda o sincretismo imantando mantras imemoriais e ritmos afro-brasileiros como o ijexá, a capoeira, o jongo, o opanijé e a cadência recente do Olodum, junto com sotaques de baião, batida para Xangô, modinha e até bossa-nova.

 

Há afinidades entre continentes e conteúdos. Esse ritmos se completam. Não precisei fazer nada de artifical para que se encaixassem”, constata Tomaz, autor das adaptações. Ele costuma trabalhar com o ritmo intuitivo do mantra — a tala indiana — sob uma harmonia colocada a partir do violão. Opera com as canções folclóricas religiosas da Índia — as mais antigas que se tem notícia — a partir de palavras sagradas compostas pelos sábios e santos da região, que compreende ainda o Tibete.

Identidade entre as deidades

Também as religiões não colidem. “Já tocaram comigo várias pessoas que conhecem os toques africanos e elas afirmam que há identidade entre as deidades”, argumenta. O indiano Krishna, por exemplo, vivia na mata, enquanto o africano Xangô era o senhor das florestas. “Existe um sincronismo que pode ser explicado pelas andanças dos árabes que em momentos diferentes da história ocuparam essas regiões”, acredita Tomaz.

 

A grande arte

Este encontro afro-indiano com pitadas de bossa-nova e baião é uma produção independente de Lucia Sweet-Lima. As orquestrações e regências dos maestros Edson Frederico e Waltel Branco, com uma variedade de timbres que varia do oboé, fagote e trompa ao sitar, tabla, mridanga e harpa, garantem ao “CD Song of India” um porte de ecumênica erudição. Michel Mujalli, budista, toca sitar numa confraternização sonora com o Quarteto de Cordas da UFRJ, o spalla da OSB, João Daltro, e o estudioso de ritmos afro-brasileiros Miltom Cobrinha, que já tocou com Gilberto Gil e Caetano Veloso.

 

Texto escrito por Tárik de Souza, crítico musical do Jornal do Brasil