Tradução de Lucia Sweet-Lima

128 págs
Brochura costurada com hot stamp
14 x 21cm
ISBN 9788587546227
R$30,00


Namo Guru Manjushri!

Estou muito feliz em aceitar o convite para escrever o prefácio desta edição brasileira. Que este livro possa ser benéfico a todos os que falam o português!

Gostaria de explicar a razão pela qual esta obra é tão preciosa. Os “Cem Conselhos” foram escritos por Padampa Sangyé, um mestre iluminado e grande bodisatva da Índia, para o bem de todos os seres, e foi comentado por Kyabje Dilgo Khyentsé Rimpoche. Os dois mestres foram seres de grande nobreza, santidade e valor. Apesar de já terem falecido, seus ensinamentos vivem e são muito proveitosos.

Estes escritos não são da autoria de pessoas comuns, que escrevem com o intelecto racional. Elas não têm capacidade para ensinar o dharma. Apenas compilam fragmentos de ensinamentos de um número excessivo de fontes. Seus textos não contêm o poder de conceder bênçãos. São como um copo quebrado que nunca voltará a ter a sua forma original, mesmo que tentemos juntar os cacos. Ler esse tipo de texto é pura perda de tempo.

Se você reconhece a estatura de um grande mestre, basta ouvir suas palavras, vê-lo ou tocá-lo para receber as suas bênçãos. As qualidades dos grandes mestres são como o sol e a lua. Se tiver merecimento, terá a oportunidade de aprender com eles, e a devoção surgirá na sua mente. Se não tiver merecimento, não conseguirá reconhecê-los e será incapaz de acreditar no poder dos seus ensinamentos. Por exemplo, todas as pessoas que enxergam vêem a claridade do sol e da lua. Uma pessoa cega, porém, não poderá percebê-la, não importa quantas vezes tentemos explicar-lhe o que seja.

Considero este livro precioso, porque, se seguir estes conselhos, sua vida será mais amorosa, serena e você se tornará um ser humano melhor. Se guardar os conselhos deste livro no seu coração e colocá-los em prática, sua mente mudará para melhor e você sentirá compaixão e amor por todos os seres e os tratará com bondade. No entanto, se não seguir estes conselhos, poderá envolver-se em intrigas e destruir a vida de outras pessoas. Seria como se as estivesse esfaqueando.

Se você for um budista sério, sua mente também precisa se tornar budista. Isto significa ter menos emoções negativas, como a inveja e a raiva, por exemplo. O propósito de publicar este livro é ajudar cada pessoa a vencer as emoções negativas.

Caso queira aprofundar-se, existem quatro escolas no budismo tibetano: Nyingma, Sakya, Kagyupa e Gelugpa. Todas as escolas se originam da tradição Nyingma, que possui seis monastérios principais. Estudei em um deles, o monastério de Shechen.

Gostaria de dedicar o mérito da publicação deste livro àqueles que fizeram generosas doações e auxiliaram na tradução. Que este mérito possa chegar a vocês e a todos os seres sencientes! Obrigado. 

Escrito por Lopon Ösel em 19 de maio de 2008.

http ://www. welcomingbuddhist.com



Uma lenda conta como no século XVI os espanhóis ficaram perplexos ao descobrir que, numa altitude inimaginável, onde o mar jamais poderia chegar, o lago Titicaca era feito de água salgada. Então ouviram dos nativos que, muito tempo atrás, Deus ficou descontente com a maneira como os homens estavam vivendo e decidiu acabar com toda a humanidade. Mas um homem era bom e tinha inspirado sua família a viver virtuosamente. Deus lhe disse que construísse uma balsa, reunisse a sua família, um casal de cada espécie animal e alimento para várias semanas, pois um dilúvio viria para por fim a todo o resto. Com o dilúvio, o nível do mar subiu até o alto dos Andes, enchendo de água uma grande depressão que se transformou no lago Titicaca. Ao ouvir a explicação, os espanhóis ficaram atônitos. Eles eram os primeiros europeus a chegar àquela região. Quem, então, poderia ter lhes contado a história de Noé? Ninguém.

No que Jung chamou de inconsciente coletivo, as imagens se repetem. É bastante conhecida a história de como, antes da era cristã, Lao Tse escreveu o Tao Te King. Já velho, decidiu afastar-se de tudo e desapareceu na fronteira do oeste em direção à Ásia Central. Mas, tendo reconhecido o mestre, um funcionário da fronteira lhe pediu que, antes de partir, escrevesse um pequeno livro em que o seu pensamento ficasse preservado.

Mais de mil anos depois, provavelmente sem conhecer a história de Lao Tse, o povo de Tingri, uma pequena aldeia do Tibete, reproduziu a origem do Tao Te King da mesma maneira como os nativos andinos que viviam junto ao lago Titicaca reproduziram a história de Noé.

De acordo com a tradição, pouco antes de morrer em 1117, o grande santo indiano Padampa Sangye passou pelo Tibete, onde o povo de Tingri lhe pediu que, antes de partir, escrevesse um pequeno livro contendo conselhos que pudessem ser aplicados ao cotidiano. Assim nasceu Os Cem Conselhos.

No ano 2000, foi publicada a edição comentada em 1987 pelo grande mestre budista tibetano Dilgo Khyentsé Rimpoche, traduzida do tibetano para o francês por Matthieu Ricard e o Grupo Padmakara de Tradução. Em 2002 seguiu-se a versão inglesa, também cuidadosamente supervisionada pelo mesmo grupo.

Coube à  Lótus do Saber preparar a edição brasileira de Os Cem Conselhos que tem agora o prazer de apresentar ao público. Numa época de tanta incerteza, será certamente recebida com entusiasmo a simplicidade impressionante com que são tratadas questões tão antigas quanto a própria humanidade. Eis alguns exemplos:

Nossos atos, palavras e pensamentos determinam nosso karma, ou, em outras palavras, a felicidade e o sofrimento que nos estarão reservados.

O corpo é o barco que nos conduzirá às praias da libertação; o corpo é uma pedra amarrada ao nosso pescoço para que afundemos nos abismos do samsara: o corpo está a serviço tanto do vício quanto da virtude.

Todos os seres desejam ser felizes, mas tentam encontrar a felicidade por meio de ações negativas, que só podem trazer sofrimento.

A união de marido e mulher e de pais e filhos nesta vida tem sua origem em ações passadas e resulta de um karma recíproco. É preciso que façamos tudo para evitarmos brigas e vivermos em paz.

Mesmo que fôssemos milionários, nos vestíssemos como príncipes e comêssemos como reis, esses privilégios estão destinados à impermanência. O nascimento conduz à morte. Existe algum ser, um único que seja, que tenha escapado desta lei?

Embora seja atemporal, ou talvez exatamente por isso, Os Cem Conselhos não poderiam chegar ao Ocidente em momento mais propício. O público brasileiro, sempre ávido da visão ancestral do cotidiano vai certamente se surpreender e beneficiar com esta obra fundamental.     


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